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Quaresma

Artigo de opinião

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Quaresma

A Quaresma, o mais importante período litúrgico dos cristãos, teve início, neste ano, exatamente no primeiro dia de março com a celebração da quarta-feira de cinzas.


Tempo de conversão espiritual e regresso aos caminhos do Senhor, corresponde, como é sabido, a um especial período de 40 dias de penitência, oração e esmola.

Tendo tido início nos primórdios do Cristianismo como um período de seis semanas antes da Páscoa, sofreu, no século quarto, um ajustamento, estabelecendo-se o seu início na quarta-feira anterior ao primeiro domingo da Quaresma, a chamada quarta-feira de cinzas, por forma a completar os 40 dias, já que não se jejuava aos domingos.


Na grande maioria das nossas igrejas teve lugar a cerimónia da imposição das cinzas na qual o sacerdote proferiu as palavras bem nossas conhecidas do livro do Génesis mas tão ignoradas no nosso quotidiano: “lembra-te homem que és pó da terra e à terra hás-de voltar”.


Mais uma vez ouvimos, a profecia de Joel apelando, em nome do Senhor, à conversão: ”convertei-vos a mim de todo coração com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não os vossos vestidos”.


A propósito deste importante tempo litúrgico e pela riqueza da sua mensagem, mais uma vez evoco os ensinamentos de S. Pedro Crisólogo, bispo de Ravena e doutor da Igreja dos anos de 406 a 450, que falando sobre a importância da oração, do jejum e da misericórdia dizia: “a oração bate à porta, o jejum obtém e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa. Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade. Ele que escute o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado; aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus.

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome.

Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe dêem tem de dar. Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira.

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus. Devem ser uma oração a nosso favor com este triplo formato”.


Também o Papa Bento XVI, numa das suas muito ricas mensagens quaresmais do seu pontificado nos apresentava uma reflexão sobre o valor e o sentido do jejum recordando-nos que a Quaresma nos traz à mente os quarenta dias de jejum vividos por Jesus antes de dar início à sua vida pública, como preparação para as provações que haveria de passar, tal como o haviam já feito Moisés antes de receber as Tábuas da Lei e Elias, antes de encontrar o Senhor no Monte Oreb, lembrando-nos que tal como ensinam a Sagrada Escritura e a tradição cristã, o jejum é uma grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz.


Evocando depois várias passagens bíblicas acerca do real valor do jejum, com Esdras no regresso à Terra prometida, e Jonas em Nínive, convidando o povo e o rei ao arrependimento e à penitência para evitar a ira do Senhor Deus, lembra que essa prática penitencial pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o evangelho.


A prática fiel do jejum contribui para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor.


Saibamos pois aproveitar este tempo de conversão interior e sentir-nos-emos, seguramente, mais bem preparados para viver com Jesus a ressurreição na Páscoa.


Guimarães, 14 de Março de 2017

António Monteiro de Castro



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