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"Ser ou não, eis a questão"

Artigo de opinião

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"Ser ou não, eis a questão"

Com a aproximação das eleições autárquicas, alguns agentes políticos começam a não conseguir deixar de aproveitar todas as ocasiões, algumas porventura menos adequadas, para, de forma mais evidente ou mais subliminar, misturarem afirmações só parcialmente elogiosas, para assim tentarem mostrar-se imparciais, com outras duramente agressivas, com vista a desviarem as águas do rio que flui em leito de margens bem definidas e corrente por elas firmemente direcionada na correta direção, que é a da serena desembocadura em local de mais vastas, profundas e auspiciosas águas.

Guimarães é de facto, como recentemente se disse nestas colunas, "uma belíssima cidade", mas não apenas, como igualmente então foi dito, devido à gestão municipal dos anos 70 "e princípios dos anos 80", nem exclusivamente em virtude do labor da equipa liderada pelo saudoso e insigne arquiteto Fernando Távora.

Foi-o também, senão sobretudo, pela visão, perseverança, influência, firmeza e capacidade de liderança dos que, vai para três décadas, ininterruptamente têm definido o rumo para a cidade e o concelho vimaranenses, tendo sido nestes quase trinta anos que ocorreram todos os factos que permitiram o reconhecimento da valia da nossa terra e suas gentes, ao que não tem sido alheia a íntima ligação que os condutores dos destinos do concelho souberam promover entre as gentes e a terra.

Foi neste período que, por muitas e boas razões tão à vista que seria excessivo aqui enumerar, se enraizou o tão reconfortante sentimento de orgulho de pertença a uma terra sobre a qual, pessoas e organizações exteriores a ela e dela independentes apenas formulam juízos elogiosos que tanto envaidecem os vimaranenses.

Perguntando-nos a nós próprios sobre se tudo está já feito, e se tudo o que já o foi foi-o imaculadamente, a resposta apenas pode ser – aqui peço licença ao Sr Presidente da República para o parafrasear – a de que perfeição só a divina, que mal vai quem se contente com o que já progrediu em tempos que convidam ao progresso permanente, e que não pisam bons caminhos os que, olhando para o passado, dele só vêm uma pequena parte, e, perscrutando o futuro, somente o assentam na destruição ou adulteração de um presente acabado de construir, alicerçado em realizações corajosas, repito corajosas, que, não contentado todos, como só os demagogos dizem ser capazes e apenas os fracos tentam, para logo soçobrarem, satisfazem e envaidecem a imensa maioria, concretizando-lhes as aspirações e dando-lhes perspetivas de melhorias futuras.

E tudo isto sem contemporizarem com interesses particulares de quem quer que seja, nem de alguns poucos tantas vezes movidos mais pelo progresso dos seus negócios particulares, sacrificando o futuro ao presente, do que pelo progresso geral, consistente e sustentável da comunidade de que fazem parte.

A este propósito refira-se o recentemente reaberto assunto de construção de um parque de estacionamento subterrâneo sob o largo do Toural, que, propugnada por uma coligação de formações candidatas à liderança dos destinos municipais, aqui foi tratada como se de uma questão de "coragem", logo e por contraposição, de cobardia se tratasse. Construir o parque será corajoso, não o construir, será pusilânime.

Ora, este é um modo menos correto de abordar a questão, desde logo porque mistura no mesmo saco opções legítimas e respeitáveis com atributos pessoais de quem tem por missão optar entre as soluções possíveis para os problemas a resolver..

É evidente que da coragem, tanto se pode dizer que serve para o bem, como para o mal.

Será corajosa uma opção que posterga tudo quanto foi dito, estudado e pensado aquando da anterior, e não longínqua, discussão pública sobre a construção do estacionamento subterrâneo no Toural?

Será corajoso destruir por completo (o que seria indispensável) a obra recentemente levada a cabo no Toural, deitando fora quanto para a sua remodelação se gastou em estudos, projetos e obra, voltando a dificultar e a tornar pelo menos desagradável a circulação de viaturas e peões em toda a zona e nas que por ali têm acesso, por todo o tempo da obra, com um novo e enorme período de sacrifício para o comércio local?

Será de coragem deitar ao lixo todos os estudos já feitos e os concursos lançados para a construção de idêntico parque a cerca de 100 metros do Toural, dito “Parque de Camões”, com projeto de arquitetura e urbanismo já concluído e concurso para a obra já lançado, propostas recebidas e em fase de adjudicação, parque esse previsto na altura em que, após consulta pública em várias e bem participadas sessões, a opção pelo parque no Toural foi preterida por aquela que agora se executará e que então mereceu aquiescência generalizada?

Será corajoso perder tudo quanto se gastou já em projetos, na aquisição de terrenos para a construção do parque e em indemnizações aos concorrentes, uma vez que estes concursos implicam, para aqueles elevadíssimo dispêndio?

É de coragem esquecer que, para além desse novo parque já em vias de construção, um outro está também em estudo, a muito pouca distância do centro histórico e do Toural, seja  com aproveitamento de diferença de cotas da alameda de S. Dâmaso e sem prejuízo  para da sua atual configuração e ocupação vegetativa e arbórea, seja no largo República do Brasil (Campo da Feira), construção essa já prevista, falada e não recusada aquando da discussão pública sobre a remodelação do conjunto Toural - S. Dâmaso?

Tal como a questão a que aludo foi posta, mais do que de coragem ou falta dela, haveria que falar - para quem goste do modo e do tom – de responsabilidade ou irresponsabilidade

Mas fico-me pelo que é o meu jeito: opções são matéria de que a democracia é feita, e é nesse âmbito, o das opções, que me movo, pois que essas, quando respeitáveis, devem abordar-se através da defesa, com dados concretos, das razões em que assentam, e não com apodo do caráter de quem, pelas funções que exerce, tem de optar, ou dos que, pelas funções a que se propõem, anunciam as escolhas que farão.

Também para assim se agir é necessária uma certa forma de coragem que, não estando ao alcance de todos, bom seria que estivesse ao de quem tal se espera.

                                                                                      

             Guimarães, 18 de abril de 2017


António Mota-Prego

a.motaprego@gmail.com



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