Curtas
«O sonho de voar», exposição de fotografia Mário Cruz, na Assembleia de Guimarães. Até 29 de Novembro.
«Paisagens silenciosas» na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho. Até 29 de Novembro.
Facebook Twitter Google + YouTube

Confiança e poupança

Artigo de opinião

opiniao
Confiança e poupança


Com o ano a chegar ao fim bem poderemos dizer que muitos foram, infelizmente, os acontecimentos que ao longo dele marcaram, de forma negativa, a vida dos portugueses.


A tragédia dos incêndios que sistematicamente fazem do Verão um verdadeiro inferno para todos nós, transformaram o ano de 2017 num dos mais trágicos das últimas décadas da nossa história. Pedrógão em Junho, com 64 mortos e as Regiões Norte e Centro em Outubro, com 42 mortos, pode dizer-se que constituíram os exemplos maiores da incapacidade e da ausência de políticas ambientais e de floresta do Estado nos últimos 40 anos.


É verdade que depois dos tempos difíceis vividos no seguimento da política de ajustamento orçamental imposta pela troika, consequência dos excessos consumistas e dos roubos que vitimaram o Estado, assistimos agora a um ambiente de algum desafogo económico e social com os indicadores a confirmarem os ventos favoráveis que se fazem sentir na conjuntura económica internacional, nomeadamente na Europa.


Que, por exemplo, o flagelo do desemprego caiu de 910.000 em 2013 para 440.000 em 2017, tendo mesmo entre Outubro de 2016 e Outubro de 2017 diminuído 115.000 e, nesse mesmo período, sido criados 145.000 novos empregos.


Que o défice das contas do Estado, que se prevê ser da ordem dos 1% do PIB, será também o melhor das últimas décadas.


Mas se é verdade que o sacrifício imposto aos portugueses começou a dar os seus frutos logo em 2015, com o governo anterior, sentindo-se mais presente embora nos tempos de hoje, é também verdade que cada vez mais se torna perceptível a vulnerabilidade deste governo.


Assim, perante uma sentida folga orçamental, que manifestamente deveria ser aproveitada para, nestes tempos de condições de mercados financeiros favoráveis, baixar a brutal dívida pública, acautelando situações futuras, vem ao de cima uma dupla fragilidade deste governo.


Fragilidade por um lado, porque sujeito uma maior pressão reivindicativa e a pensar já nas próximas eleições legislativas, aumenta a despesa, com a integração nos quadros do Estado dos chamados trabalhadores precários; com o descongelamento das carreiras da função pública; com o aumento das reformas; com a diminuição do horário de trabalho etc.


Fragilidade por outro, decorrente da sua situação de governo minoritário, que fica sujeito, na elaboração do orçamento de Estado, às condições impostas pelos partidos de esquerda e de extrema esquerda, condições habitualmente adversas do investimento, da iniciativa privada e da solidez económica e financeira do país.


É um governo que se regula apenas pelo presente, gerindo o dia a dia, ignorando as reformas que se impõem com vista à construção de um Estado sólido, competitivo e desenvolvido que todos desejamos para o futuro.


Continua a ignorar a importância e a urgência da tomada de medidas com vista à implementação de aspectos fundamentais como confiança e poupança.


Sem confiança e sem poupança não pode haver desenvolvimento económico. E sem desenvolvimento económico não haverá, seguramente, condições para conseguir qualquer outro tipo de desenvolvimento.


A confiança conquista-se com a adopção de medidas no domínio da legislação sobre o trabalho, sobre a justiça, sobre o domínio fiscal e outras, e que não vacile nem introduza sistematicamente alterações ao sabor de conjunturas mais ou menos favoráveis.


O estímulo à poupança consegue-se com a adopção de medidas adequadas, sobretudo de natureza fiscal, seja para as famílias, seja para as empresas.


Nenhumas delas, infelizmente, são perceptíveis, neste orçamento para o ano de 2018.


Ficamos, pois, preocupados e com a certeza de que iremos continuar sentados num verdadeiro barril de pólvora, que é a dívida do estado e a dívida do país, pronta a rebentar, logo que uma nova tempestade nos mercados financeiros se faça sentir.


Oxalá esteja eu bem enganado.


Guimarães, 7 de Novembro de 2017

António Monteiro de Castro




‹ Cenotáfio ou cenatório?Balada ferroviária ›

Rádio Santiago em Direto

Cantinho do Puff

Farmácias de Serviço

Guimarães

Farmácia Avenida (Permanente)
Av. D. João IV, 585 r/c

Vizela

Farmácia Ferreira (Disponibilidade)
Avenida Abade de Tagilde, Nº 901

As nossas publicações

Desenvolvido por 1000 Empresas

Contactos

Edifício Santiago
Rua Dr. José Sampaio n.º 264
4810-275 Guimarães
Tel.: 253 421 700
Email: geral@guimaraesdigital.com