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Cenotáfio ou cenatório?

Artigo de opinião

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Cenotáfio ou cenatório

Anda Portugal em polvorosa por causa de um jantar que decorreu no átrio principal da Igreja de Santa Engrácia (a tal cujas obras decorreram ao longo de mail de 250 anos e foi fonte do dito popular de que algo demorado era como as obras de Santa Engrácia). 

Não por ser uma igreja, o que já seria fonte de controvérsia, mas por lhe ter sido conferido o estatuto de Panteão Nacional, com vista a que aí se sepultassem os grandes vultos da Nação, ou, pelo menos, se homenageassem, como se aí a tivessem, alguns daqueles que não se encontram lá sepultados, por lhes ter sido anteriormente destinada, em exclusivo, sepultura em local de relevo, por tal forma que se tornaram indissociáveis a sepultura e o local.

Consiste tal homenagem na colocação, no Panteão, de túmulos evocativos dos restos mortais de personalidades que, na realidade, se encontram depositados em outros locais. Ou, mesmo, cujo lugar de sepultamento é desconhecido, dos quais, entre nós, o mais célebre é Luis de Camões.

O belíssimo túmulo expressamente concebido e edificado para este encontra-se na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos (desconhecendo-se de quem são as ossadas aí depositadas e que só por tradição se atribuem ao grande Poeta).

No Panteão, rodeando o venerável átrio principal, encontra-se um conjunto construções tumulares, vazias, mas evocativas da memória de personagens sepultados em outros lugares, a saber, para além de Camões, D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e Vasco da Gama.

Diz-se serem cenotáfios, esse tipo de túmulos de mera mas intensa e homenagem.

O assunto tem sido objeto de controvérsia, aqui e ali acalorada, entre apoiantes e críticos do evento, em alguns casos mediante considerações e argumentos assaz curiosos, judiciosos ou desadequados.

A matéria tem localmente um especial interesse porque - por vezes esquecemo-nos – o vimaranense Cemitério de Monchique está dotado de uma construção destinada a Panteão Municipal.

Encontra-se ela vazia, seja de túmulos seja, mesmo, de cenotáfios, mas o seu destino é aí serem, física ou simbolicamente, depositados homens e mulheres a quem Guimarães deva ou venha a dever memória de especial gratidão pelo que foram ou fizeram em vida.

Ainda que vazio, aquele espaço tão particular e, só por existir, venerando, merece intenso respeito, independentemente de se encontrar ou não ocupado, de estar ou não integrado num cemitério comum.Imaginemos que o local era utilizado, evidentemente que mediante prévia autorização por quem de direito, para uma atividade festiva, por exemplo, um jantar nicolino no dia do Pinheiro, ou de aniversário, ou de festa de empresa; o que pensaria e o que diria a maior parte dos vimaranenses?

Creio bem que, mais pelo respeito que se deve aos mortos concretos do que aquele que infunde a morte em abstrato, mereceria desaprovação a ocorrência de tais eventos em um tal lugar. Não sou contra, antes aprovo, a utilização de monumentos para determinados eventos, nomeadamente de natureza cultural ou mundana.

Mas há que proceder à regulamentação de tal possibilidade de modo que nem qualquer evento seja admissível em qualquer monumento.

A não ser assim, então, na polémica em curso, alinho com aqueles que abordam a matéria com ironia, imaginando a utilização dos espaços em causa para eventos com eles mais intimamente relacionados tais como, por exemplo, reuniões ou comemorações de coveiros, ou bailes da noite da bruxas, ou acontecimentos gastronómicos de nouvelle cuisine à base de ossatura, para o que sugeriria costelinhas maturadas em ânfora coberta, ossobuco ao bálsamo centenar, ossos de suã curados ao tempo ou, suprema iguaria, cailles au sarcophage, pitéu francês servido há mais de um século no famoso restaurante parisiense “Maxim’s e que se traduz por “codornizes no … sarcófago”.

Se for assim, concordo!     

 

Guimarães, 14 de novembro de 2017

António Mota-Prego

a.motaprego@gmail.com  


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