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«Memento - Raimundo Fernandes, um coleccionador de Guimarães», Casa da Memória. Até 4 de Março.
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Ên arkhê ên ho lógos

Artigo de opinião

opiniao
Ên arkhê ên ho lógos

Se no princípio era o verbo, se no princípio está a razão, então tem que se começar pelo princípio. E tudo o que se lhe seguir será o desenvolvimento do verbo, da razão. Elementar, neste mundo identificado como de progressão se­quencialmente con­se­quente. Assim e porque a intencionalidade é o primórdio de qualquer planeamento, a expressão dum arquétipo vindoiro que se almeja alcançar, o princípio daquele tem mesmo de ser a definição desse modelo que se tenciona vir a implementar (e que não necessita de se o julgar o único, ainda quando se o ajuíze como tal e porque, mesmo aí, pode vir a evoluir, a ser adaptado ou alterado no decurso do seu desenrolamento) para obtenção de um determinado resultado. Asseverações que parecem claras como a água cristalina.
Aceite isto, cumpre recordar que o planeamento do desenvolvimento económico e social incumbe ao Estado; e que este, nos países industrializados, na forma mais comum e sobretudo nas nações europeias, está repartido em três níveis: o nacional, o regional e o local. Com uma inquestionável subordinação hierárquica e com atribuições, e competências, específicas para cada um daqueles. E em que, noblesse oblige para qualquer deles, não se deveria menosprezar o desejável aprofundamento da democracia parti­cipativa.
Por cá e pelo menos formalmente, no papel, as coisas estão mais ou menos assim estatuídas. Pelo menos no que concerne aos municípios. E os PDMs que temos aí estão para, de certa maneira, o comprovar.
Alicerçado o raciocínio, deixando para trás a toada ferroviária e porque este tema tem andado na baila (de realçar a lúcida entrevista de há semanas, na rádio Santiago, do Senhor Manuel Oliveira, administrador da Arriva), o problema de um plano de mobilidade concelhio parece que, finalmente, está a ser posto na calha, ... a vir à tona a bout de souffle. Já não será sem tempo, embora e ao que se depreende, ele se restrinja ao apenas sector rodoviário (e, por exemplo, não se ausculta nada sobre o aéreo e mormente sobre um heliporto).
Assentes estas bases e com a restrição atrás anunciada, circunscrevendo portanto, cumpre sucintamente notar o que encontramos no terreno. Assim: em matéria de auto-estradas (com graves erros nas acessibilidades), estamos ligados à sua rede nacional, devidamente conectados com o principal eixo norte/sul, com o litoral e o interior, e também com o eixo norte/sul central, bem como, por qualquer desses eixos, com a Espanha e, seguidamente, a Europa; quanto a estradas nacionais, as três que temos (de traçados e perfis antigos, desajustadas para o tráfego actual, sobretudo pela enorme densidade deste e por terem servido de suporte a construção marginal em grande parte do seu trajecto) esquartejam o concelho, ligando-o aos aglomerados urbanos vizinhos mais significativos; e, finalmente (excluída a VIM; desacertada substituta da circular externa da cidade e que afastou esta duma centralidade que devia ter), a esfusiante rede de estradas e caminhos municipais, com ainda alguns vicinais e muitos outros de feitura privada com circulação pública, num a ver se te avias impressionante, fecham a rede que vai a todo o lado. E, claro, nunca é demais relembrá-lo, a sempre ocupação urbana profusamente dispersa.                                                                                          
Permita-se, nesta altura e numa analogia simplicista, memorar o sistema respiratório humano e, nele, os seus condutores de ar que asseguram, no seu leva e trás, o oxigenação ao corpo. E são eles, como se sabe, a traqueia (começando nela), os brônquios e os bronquíolos quem, no seu conjunto, transporta o fluxo gasoso que vai diminuindo até aos alvéolos, donde se devolve. Em que, por essa ordem e sucessivo menor calibre, o débito vai encolhendo ou, no regresso, aumentando. Sem, no entanto e sempre, se poder descurar da saúde, da boa qualidade funcional, de todo esse sistema essencial à sobrevivência. E também que quanto maior for o a irrigar, maior ele terá de ser; mais o corpo despende para o criar e manter em condições.
Condições últimas estas que, transplantadas para a realidade presente do nosso concelho, nos mostram uma rede viária extensa e estendida por os seus cerca de 240 km2 e 160.000 muito espalhados habitantes e, ou, mais algumas centenas de empresas. Ou seja, bronquíolos e mais bronquíolos que têm, ou deviam ter, que assegurar todos os atributos viários atinentes a um trânsito moderno (em traçados, perfis e infraestruturas das, e nas, vias). Isto até porque, por todas as razões e por aquelas que começam a pressionar (pegada ecológica, CO2, etc.), o transporte individual tender para restrições que se irão acentuando. E, nessa evidência, os requisitos concretos com que nos deparamos não são, nem estarão a breve trecho, aptos para o incremento de transportes colectivos.
Ora se um plano tem que atender ao que há e encontrar as melhores soluções de mobilidade para o presente, não será, porém, tempo para, finalmente e com acentuado atraso, democrático inclusivamente, se reflectir sobre se o modelo a promover deve ser o da continuação da manutenção da dis­persão, ou se, pelo contrário, se quer apostar num de concentração, com realçada qualidade de vida urbana e pau­la­tina reversão do desordenamento que por aí vai?

Óscar Jordão Pires
Fundevila, 22 de Novembro de 2017


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