Curtas
«Memento - Raimundo Fernandes, um coleccionador de Guimarães», Casa da Memória. Até 4 de Março.
Facebook Twitter Google + YouTube

O risco de voltar a acontecer

Artigo de opinião

opiniao
O risco de voltar a acontecer

O tema é inultrapassável.
Refiro-me às eleições para a presidência do PSD as quais, acima de tudo, me interessam enquanto cidadão.
Quero com isto dizer que não me é indiferente quem venha a ser o próximo presidente daquele Par­tido, pois, reconhecendo a essencialidade dos par­tidos políticos como o cer­ne da democracia, nos quais, todavia, ela se não esgota, aspiro a que eles, todos eles, sejam liderados por pessoas com elevada formação cívica, capacidade intelectual e sensibilidade social, devotadas à causa pública e, nessa medida, com a ambição de, na administração, ocuparem cargos que lhes permitam influenciarem o curso dos acontecimentos em direção ao que sinceramente en­tendem ser o melhor para a coletivo nacional.
Isto leva-me a con­si­derações que têm a ver com o equilíbrio indispensável entre a atividade parti­dária e os interesses da comunidade, pois aquela é suposto servir para satisfazer estes, sendo a diferença entre as ideologias e as perspetivas partidárias a fonte do permanente e salutar debate sobre quais sejam os mais importantes daqueles interesses e as melhores vias para a satisfação deles.
Tenho para mim que os assuntos partidários, e particularmente os de liderança, não respeitam apenas ao universo dos filiados; por alguma razão se assiste, aquando de eleições internas partidárias, à manifestação, pelo comum cidadão, da opinião que lhes deixa cada um dos candidatos, qual acha melhor, qual julga que irá ganhar, o que irá o ganhador fazer se eleito, etc, etc, etc.
Por isso há muito defendo que a eleição dos candidatos a determinados cargos, muito particularmente a líderes partidários e, consequentemente, a pri­meiros-ministros, deve ser efetuada com recurso a eleições primárias, que é coisa diferente das chamadas eleições diretas, que são as que vão ocorrer no PSD.
Estas são restritas ao universo partidário e for­temente condicionadas pelos interesses de partido dos apoiantes de cada um dos candidatos, não sendo despicienda, ainda que não a tenha por generalizada, a motivação que leva ao voto naquele que melhor servirá o partido, quando não o próprio votante.
Nas eleições primárias, os partidos abrem-se à sociedade (quantas pro­messas já ouvimos no sentido desta abertura?) alargando a votação aos não filiados, como forma de deteção do sentimento dos seus potenciais eleitores quanto a quem será o melhor governante, assim arredando, ou diminuindo drasticamente, a possibilidade de a eleição ser resultado sobretudo de interesses internos ou pessoais.
As comunidades nacionais não são homogéneas, como o não são as sub comunidades por que o todo nacional é constituído. São diversas as opiniões na comunidade jurídica sobre determinados aspetos da regulação da vida social, na comunidade médica sobre as causas e tratamento de determinadas afeções, na científica sobre a origem e o rumo de determinados acontecimentos.
Por isso que na comuni­dade nacional haja dife­rentes correntes de pen­samento sobre a coisa pública, sobre qual a raiz dos acontecimentos que a afetam, como lidar com eles, como atalhar à situação presente e acautelar o futuro.
É por ser assim que os partidos existem: para representarem essas di­ferenças que natural e sa­lutarmente ocorrem no seio das sociedades nacionais.
Os partidos são fruto do pensamento cidadão, e não este consequência daqueles.
Voltando às eleições no PSD, como as vejo eu à luz do que acabo de expor (exposição, refira-se, muito sucinta e que não cobre boa parte da problemática inerente à matéria, mas que, fosse a exposição completa, me levaria à mesma conclusão)?
Comungando embora da opinião de quantos têm ambos os candidatos por políticos de craveira insuficiente, a verdade é que um ou outro será Presidente do PSD, por isso candidato a chefe do Governo de Portugal e, pese embora a referida insuficiência, não me é indiferente a vitória de um ou de outro.
Chegado aqui, eu, cidadão capaz de me despir da veste partidária que todos sabem qual seja a minha, não tenho dúvidas em detetar diferenças assinaláveis entre Santana Lopes e Rui Rio, diferenças que me levam a preferir, sem qualquer hesitação, a vitória de Rui Rio.
Ainda que se diga que lhe falta suficiente pendor cultural, que como economista não esteja imu­ne a tiques de máquina de calcular, que tem má relação com a comunicação social, que não tratou bem o Futebol Club do Porto, que nem sempre esteve em sintonia com o Partido a cuja presidência aspira, a isso pode contrapor-se que, de um modo geral, conseguiu mostrar-se mais solto, mais livre, menos enleado partidariamente, o que, para um Primeiro-Ministro é uma vantagem, jamais um defeito.
Pareceu-me sério e sincero nas afirmações que fez; vi maturação em várias das ideias que expôs; detetei-lhe pensamento próprio ainda que ao arrepio da nomenklatura partidária; demonstrou vontade de se não vergar aos lóbis e de se não deixar desfeitear pela Comunicação Social, vontade a que correspondeu capacidade quando Presi­dente da Câmara do Porto; foi respeitosa mas autêntica a apreciação que fez do modo como o Presidente da República exerce o seu cargo; isto e um bom pedaço mais que seria fastidioso enumerar, são atributos e factos que me levam a crer que, como Presidente do PSD, Rio contribuirá para que haja acréscimo no nível da política e, imaginando-o como eventual Primeiro-Ministro, confio que, in­de­pendentemente da discordância que even­tualmente me possa merecer a sua ação concreta, me não dará motivos para me envergonhar de o ter como chefe do Governo do meu país.
Com Santana Lopes já tive essa embaraçante sensação de vergonha.
Embora o tempo lhe tenha conferido ar de maturidade senatorial, a sua postura desde que foi demitido de Primeiro-Ministro até agora, de que é bom exemplo a que teve durante o debate com Rui Rio, é de molde a recear que, com ele a chefe do Governo, tudo, da mesma ou de outra maneira, voltaria a acontecer.

Guimarães, 09 de janeiro de 2018
António Mota-Prego
a.motaprego@gmail.com
opiniao
O risco de voltar a acontecer

O tema é inultrapassável.
Refiro-me às eleições para a presidência do PSD as quais, acima de tudo, me interessam enquanto cidadão.
Quero com isto dizer que não me é indiferente quem venha a ser o próximo presidente daquele Par­tido, pois, reconhecendo a essencialidade dos par­tidos políticos como o cer­ne da democracia, nos quais, todavia, ela se não esgota, aspiro a que eles, todos eles, sejam liderados por pessoas com elevada formação cívica, capacidade intelectual e sensibilidade social, devotadas à causa pública e, nessa medida, com a ambição de, na administração, ocuparem cargos que lhes permitam influenciarem o curso dos acontecimentos em direção ao que sinceramente en­tendem ser o melhor para a coletivo nacional.
Isto leva-me a con­si­derações que têm a ver com o equilíbrio indispensável entre a atividade parti­dária e os interesses da comunidade, pois aquela é suposto servir para satisfazer estes, sendo a diferença entre as ideologias e as perspetivas partidárias a fonte do permanente e salutar debate sobre quais sejam os mais importantes daqueles interesses e as melhores vias para a satisfação deles.
Tenho para mim que os assuntos partidários, e particularmente os de liderança, não respeitam apenas ao universo dos filiados; por alguma razão se assiste, aquando de eleições internas partidárias, à manifestação, pelo comum cidadão, da opinião que lhes deixa cada um dos candidatos, qual acha melhor, qual julga que irá ganhar, o que irá o ganhador fazer se eleito, etc, etc, etc.
Por isso há muito defendo que a eleição dos candidatos a determinados cargos, muito particularmente a líderes partidários e, consequentemente, a pri­meiros-ministros, deve ser efetuada com recurso a eleições primárias, que é coisa diferente das chamadas eleições diretas, que são as que vão ocorrer no PSD.
Estas são restritas ao universo partidário e for­temente condicionadas pelos interesses de partido dos apoiantes de cada um dos candidatos, não sendo despicienda, ainda que não a tenha por generalizada, a motivação que leva ao voto naquele que melhor servirá o partido, quando não o próprio votante.
Nas eleições primárias, os partidos abrem-se à sociedade (quantas pro­messas já ouvimos no sentido desta abertura?) alargando a votação aos não filiados, como forma de deteção do sentimento dos seus potenciais eleitores quanto a quem será o melhor governante, assim arredando, ou diminuindo drasticamente, a possibilidade de a eleição ser resultado sobretudo de interesses internos ou pessoais.
As comunidades nacionais não são homogéneas, como o não são as sub comunidades por que o todo nacional é constituído. São diversas as opiniões na comunidade jurídica sobre determinados aspetos da regulação da vida social, na comunidade médica sobre as causas e tratamento de determinadas afeções, na científica sobre a origem e o rumo de determinados acontecimentos.
Por isso que na comuni­dade nacional haja dife­rentes correntes de pen­samento sobre a coisa pública, sobre qual a raiz dos acontecimentos que a afetam, como lidar com eles, como atalhar à situação presente e acautelar o futuro.
É por ser assim que os partidos existem: para representarem essas di­ferenças que natural e sa­lutarmente ocorrem no seio das sociedades nacionais.
Os partidos são fruto do pensamento cidadão, e não este consequência daqueles.
Voltando às eleições no PSD, como as vejo eu à luz do que acabo de expor (exposição, refira-se, muito sucinta e que não cobre boa parte da problemática inerente à matéria, mas que, fosse a exposição completa, me levaria à mesma conclusão)?
Comungando embora da opinião de quantos têm ambos os candidatos por políticos de craveira insuficiente, a verdade é que um ou outro será Presidente do PSD, por isso candidato a chefe do Governo de Portugal e, pese embora a referida insuficiência, não me é indiferente a vitória de um ou de outro.
Chegado aqui, eu, cidadão capaz de me despir da veste partidária que todos sabem qual seja a minha, não tenho dúvidas em detetar diferenças assinaláveis entre Santana Lopes e Rui Rio, diferenças que me levam a preferir, sem qualquer hesitação, a vitória de Rui Rio.
Ainda que se diga que lhe falta suficiente pendor cultural, que como economista não esteja imu­ne a tiques de máquina de calcular, que tem má relação com a comunicação social, que não tratou bem o Futebol Club do Porto, que nem sempre esteve em sintonia com o Partido a cuja presidência aspira, a isso pode contrapor-se que, de um modo geral, conseguiu mostrar-se mais solto, mais livre, menos enleado partidariamente, o que, para um Primeiro-Ministro é uma vantagem, jamais um defeito.
Pareceu-me sério e sincero nas afirmações que fez; vi maturação em várias das ideias que expôs; detetei-lhe pensamento próprio ainda que ao arrepio da nomenklatura partidária; demonstrou vontade de se não vergar aos lóbis e de se não deixar desfeitear pela Comunicação Social, vontade a que correspondeu capacidade quando Presi­dente da Câmara do Porto; foi respeitosa mas autêntica a apreciação que fez do modo como o Presidente da República exerce o seu cargo; isto e um bom pedaço mais que seria fastidioso enumerar, são atributos e factos que me levam a crer que, como Presidente do PSD, Rio contribuirá para que haja acréscimo no nível da política e, imaginando-o como eventual Primeiro-Ministro, confio que, in­de­pendentemente da discordância que even­tualmente me possa merecer a sua ação concreta, me não dará motivos para me envergonhar de o ter como chefe do Governo do meu país.
Com Santana Lopes já tive essa embaraçante sensação de vergonha.
Embora o tempo lhe tenha conferido ar de maturidade senatorial, a sua postura desde que foi demitido de Primeiro-Ministro até agora, de que é bom exemplo a que teve durante o debate com Rui Rio, é de molde a recear que, com ele a chefe do Governo, tudo, da mesma ou de outra maneira, voltaria a acontecer.

Guimarães, 09 de janeiro de 2018
António Mota-Prego
a.motaprego@gmail.com
‹ Como eu costumo dizerO ano 2018 ›

Rádio Santiago em Direto

Cantinho do Puff

Farmácias de Serviço

Guimarães

Farmácia Lobo (Permanente)
Avenida de Londres, 284

Vizela

Farmácia Alves (Disponibilidade)
Rua Dr. Abílio Torres, 1078

As nossas publicações

Desenvolvido por 1000 Empresas

Contactos

Edifício Santiago
Rua Dr. José Sampaio n.º 264
4810-275 Guimarães
Tel.: 253 421 700
Email: geral@guimaraesdigital.com