Júlio Mendes contesta plano financeiro de Júlio Vieira de Castro: "Ou é uma mera ilusão ou um plano maquiavélico de quem quer ser o dono da SAD sozinho"

O candidato à presidência do Vitória, Júlio Mendes, acusou a Lista A, de Júlio Vieira de Castro, de ter apresentado um plano financeiro que pode colocar em risco a posição do clube na Sociedade Anónima Desportiva.
Esta tarde, em conferência de imprensa, Júlio Mendes contestou o plano anunciado por Júlio Vieira de Castro, se for eleito presidente, de aumento do capital social da SAD para 20 milhões de euros: “A candidatura nossa opositora apresentou um plano de investimento, com um número mágico de 70 milhões de euros. Apresentou 15 milhões de receitas da SAD mais 21 milhões de receitas televisivas que são trabalho nosso. Obrigado Lista A por reconhecer o nosso trabalho. Outros 14 milhões de euros são de patrocínios de Ziad. Começou por dizer que havia questão de opacidade no Vitória, mas questionado sobe a origem dos milhões de euros disse que não podia revelar. Depois, propõem mais 20 milhões de aumento de capital da SAD. Valor que tem de ser de capital subscrito pelos acionistas. Para fazer aumento de 20 milhões, o Vitória tem de entrar com oito milhões e os privados com 12 milhões. O que me preocupa aqui é quem faz esta proposta ou não tem consciência do que está a sugerir ou propor ou tem por trás uma estratégia que pretende não devolver o clube aos sócios, mas tirar o clube aos sócios. O clube, que continua com a responsabilidade de pagar dívida que herdou, mais de nove milhões de euros para pagar nunca vai conseguir ter oito milhões para subscrever capital. Não tendo esse dinheiro, os oito milhões podem ser subscritos por privados. Isso significa que deixa de haver equilíbrio. No dia em que isto acontecer, todos os direitos podem ruir, porque os privados podem ter posição dominante sobre o clube”.

Júlio Mendes acusou a candidatura de Júlio Vieira de Castro de querer tomar o poder absoluto: “Se isto acontecer, o clube fica à mercê de quem o quiser comprar. Pela Lista A, esta é a oportunidade dos sócios ficarem sem o clube. Os sócios não se vão deixar enganar. Até ao limite das nossas forças vamos combater este tipo de construções. Quem propõem isto ou não está preparado para liderar os destinos do Vitória ou tem por trás um projecto que chegou da Tunísia, quando no dia do debate não existia. No debate disse que o candidato da outra Lista estava a servir de instrumento para uma estratégia que não era dele. A pessoa que trouxe este plano da Tunísia disse, numa entrevista ao jornal A Bola, em 2016, disse que sentia legitimidade para um dia ser presidente. Existe aqui uma estratégia de tomada de poder absoluto de quem quer ser dono disto, mas nós vitorianos não vamos permitir. Ou as pessoas fizeram uma proposta só para dizer 70 milhões, para atirar um número, o que só por si é grave, ou existe estratégia que não está a ser revelada. Se se fizesse aumento de capital de 20 milhões de euros, o clube não podia acompanhar e podia perder completamente os direitos que tem desde a criação da SAD. Esta proposta tem de ser vista com muita atenção por parte dos vitorianos. Ou é uma mera ilusão ou um plano maquiavélico de quem quer ser o dono da SAD sozinho. O plano financeiro da Lista A não tem coerência nenhuma”.

O candidato da Lista B falou ainda sobre o papel de Mário Ferreira: “Disseram que falaram com o senhor Mário Ferreira e que terá demonstrado vontade de participar no aumento de capital. O senhor Mário Ferreira sempre participou nos aumentos de capital, está connosco desde que a SAD foi constituída e sabe como foi constituída a SAD. Parece-me haver interpretação abusiva da nossa lista opositora”.

Na conferência de imprensa desta tarde, Júlio Mendes historiou o processo de criação da SAD: “Queremos esclarecer questões que nos preocupam. A 10 Abril 2013 foi constituída a SAD, com os seguintes capitais. 40 por cento pertence ao clube, 60 por cento a privados. Actualmente, o capital social é de 4.5 milhões de euros. O clube tem 1.8 milhões de euros de capital social e os privados 2.7 milhões de euros. Esta foi a proposta aprovada em 2013, pela Assembleia Geral, pelos sócios. Nós garantimos aos sócios que o clube, apesar de ser minoritária, teria sempre controlo absoluto da SAD. Nos seus Estatutos isso está salvaguardado com vários direitos especiais. Não pode haver mudança de sede, alteração de símbolos, dissolução da SAD, aumento de capital sem o clube concordar, é o clube que detém o poder de escolha do Conselho de Administração, é o clube que designa o presidente do Conselho de Administração, a assinatura do presidente é obrigatória e vincula a SAD”.

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