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ARTIGO DE OPINIÃO

As Festas Gualterianas

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As Festas Gualterianas

Estão já na rua as festas da cidade. Este ano, e como consequência do especial período de dificuldades que o país e o mundo estão a atravessar, fica a ausência no programa das festas da já habitual festa tauromáquica, tão desejada por muitos e lastimadas por tantos outros.

Como acontecimento marcante e a abrir o programa geral das festas teremos, este ano, logo na Sexta-feira dia 27 pelas 21,30 h na Igreja dos Santos Passos, enquadrado na vertente religiosa das festividades, uma conferência promovida pela irmandade de S. Gualter acerca de Fernando de Bulhões, o Franciscano maior nascido em terras lusas, canonizado e conhecido como Santo António de Lisboa. Será conferencista António Eça de Queiroz, estudioso da vida e obra do grande e popular santo português, autor de um livro acabado de publicar “Santo António o Homem por trás da lenda”.
A conferência será abrilhantada pela actuação do ilustre grupo coral de Pevidém presidido pela sua directora drª Dulce que fará a abertura e o seu encerramento.
Ainda no âmbito das cerimónias religiosas, e este ano logo no primeiro dia de Agosto, merecem especial destaque a Eucaristia da manhã e a procissão da tarde presididas pelo ilustre sacerdote vimaranense, também arcipreste de Guimarães e Vizela, reverendo dr. Armando Luís de Freitas, num gesto de reconhecimento pelo seu serviço à igreja e de um modo muito especial ao arciprestado, neste ano das suas bodas de ouro sacerdotais.
Depois de um longo período durante o qual as festas da cidade se limitaram praticamente à parte profana, foi possível, graças ao empenho das diferentes instituições vimaranenses, conseguir restabelecer com dignidade e brilho a vertente religiosa que esteve na origem das festas por essa mesma razão denominadas de Gualterianas.
Dá-se também este ano a feliz coincidência de serem as primeiras festas depois da importante confirmação da presença das ossadas do nosso santo padroeiro no interior de uma imagem do santo, levadas a cabo pela Venerável Ordem Terceira de S. Francisco e actualmente em veneração na igreja de S. Francisco.
É tempo de relembrar aos vimaranenses a importância da vida e obra de S. Gualter. A igreja recorda, e ainda há bem pouco tempo o ouvíamos pela voz do sucessor de Pedro, o papa Bento XVI nas suas tão ensinadoras catequeses, a importância para os cristãos do conhecimento da vida e obra dos santos e na riqueza dos ensinamentos que poderemos obter para a nossa própria vida.
S. Gualter, foi discípulo do fundador da Ordem dos Frades Menores, S. Francisco de Assis e por si enviado juntamente com Frei Zacarias para as terras de Portugal no ano de 1216, acompanhados de outros dois, todos recomendados a D. Urraca, mulher de D. Afonso II “O Gordo”, rei de Portugal, não fossem eles serem acusados de hereges, coisa muito em voga na Europa desse tempo.

O destino de Frei Gualter foi Guimarães. Depois de algum alvoroço causado pela sua presença, nomeadamente junto dos dignitários da igreja local, pois as suas convincentes palavras eram acompanhadas de obras, refugiou-se “fora da vila na falda num monte para onde o acesso era difícil e penoso. Era a encosta do monte de Santa Catarina (Penha) e o local a Fonte Santa junto das claras águas dum regato em cela feita de ramos, continuando a vida eremítica que na Úmbria praticavam os Irmãos Menores”.

O seu dia-a-dia cumpria a súmula da Regra instituída no século VI por Bento de Núrsia, o nosso S. Bento, padroeiro da Europa - “Ora et Labora” - e assim era repartido entre a contemplação e o trabalho. Durante o dia desciam da tranquilidade do seu retiro à Vila, dirigiam-se ao hospital onde ofereciam os seus serviços, de bom grado aceites, ou saíam aos campos a ajudar os homens em seus labores.
Fora destes trabalhos pregavam com muito zelo e eloquência a salvação das almas, recomendando penitência, oração e o abandono das riquezas.
Terá morrido no dia 30 de Julho de ano posterior a 1258, ano da fundação do Convento de S. Francisco do Porto, inauguração na qual esteve presente.
A sua fama de santidade chegou longe. São muitos os milagres descritos pelos cronistas, nomeadamente ocorridos depois da sua primeira trasladação e segunda deposição no convento fundado mais tarde junto dos muros exteriores da vila.
As pedras do seu sepulcro chegaram mesmo a ser desfeitas para constituir relíquia, e os seus ossos chegavam a ser disputados na cura das enfermidades, andando de casa em casa. Terá sido a preocupação do desaparecimento de suas ossadas que fez com que os responsáveis da irmandade de outrora, tenham procedido à sua recolha dentro de uma imagem do santo e que foram há alguns meses, conforme se referiu, descobertas e postas à veneração pela Venerável Ordem Terceira de S. Francisco de Guimarães.

Guimarães,
27 de Julho de 2010
A Monteiro de Castro
GUIMARÃES

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