VÍDEO: Protocolo entre a Câmara de Guimarães, Vimágua e Irmandade leva rede de abastecimento público de água à Penha

 

"Há uma sintonia completa para que a estância da Penha seja a melhor montanha do mundo". A afirmação foi feita pelo Presidente da Câmara de Guimarães, esta quinta-feira, durante a assinatura do protocolo, no âmbito do projecto de construção da rede de abastecimento público de água e extensão da rede de saneamento de águas residuais, envolvendo o Município, a Vimágua e a Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha. 

Na cerimónia realizada no salão nobre do Município, Domingos Bragança começou por agradecer à Irmandade "o trabalho realizado na montanha, na sua área de jurisdição". "É um trabalho reconhecido, de mérito excepcional, que tem permitido que a Câmara lance um novo olhar sobre a montanha da Penha", disse, apontando o "trabalho feito na reflorestação, ao longo dos anos, e que tem sido muito bem continuado e robustecido". 

"Temos no perímetro à volta do Santuário, espécies autóctones que são uma referência", observou, acrescentando que essa visão foi premonitória, "porque tiveram razão antes do tempo". "A melhor medida para proteger a floresta contra os incêndios é a presença de vegetação autóctone", continuou, ao realçar que "este trabalho está a permitir a candidatura da montanha à Rede Nacional de Áreas Protegidas". 

"Com esse trabalho, compreendemos que podemos levar a reflorestação a toda a montanha da Penha à cidade, num primeiro momento,na continuação do que a Irmandade tem feito, num corredor até ao Parque da Cidade e, mais tarde, abrangendo toda a área que vai até à Senhora da Lapinha e toda a zona da freguesia de Infantas", perspectivou Domingos Bragança, referindo que "uma equipa conjunta da Irmandade, da Universidade do Minho, da Câmara de Guimarães e do Laboratório da Paisagem elaborou um estudo para que a classificação seja bem conseguida". "Queremos muito mais... Além da classificação, queremos que o nosso Parque da Cidade, possa incluir a Montanha da Penha", acrescentou, indicando que a recuperação dos trilhos da montanha permitirá proteger a fauna e flora local. 

"Este protocolo é o reconhecimento do trabalho excepcional que a Irmandade tem feito naquela estância em toda a sua dimensão, religiosa, turística e ambiental. É fazer justiça ao que se faz na montanha da Penha", prosseguiu, sublinhando que "há um trabalho de parceria que é para continuar".

Com este protocolo, a Câmara de Guimarães assume o pagamento à Vimágua da água da rede pública utilizada nos sanitários e nos fontanários existentes na montanha. "É um serviço público que está a ser prestado pela Irmandade da Penha, porque permite a todos a utilização desses recursos como o tem feito até agora", explicou Domingos Bragança, considerando que este acordo "significa a sintonia existente entre as três entidades, uma sintonia completa para que a estância da Penha seja a melhor montanha do Mundo!"

Antes, na sua intervenção, o Juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Penha destacou a importância da construção da rede de abastecimento público de água, para substituir a velhinha "mãe d' água de Guimarães". Manuel Roriz Mendes lembrou que "os vimaranenses souberam sempre, ao longo dos séculos, que esta montanha sagrada, rica em recursos naturais, era a fonte de vida, e souberam adaptar a riqueza obtida, retribuindo a atractividade e a qualidade que ela tem".

"Em 1877, construiu-se a primeira estrada pela Câmara Municipal desde o Senhor dos Serôdios à Penha, em 1916, construiu-se a estrada panorâmica de Guimarães à Penha, porque não tinha vegetação e vislumbra-se o mar no horizonte. Hoje, está lá a EN 101/2, actual estrada municipal e com a riqueza florestal que todos reconhecem", recordou, considerando a celebração deste protocolo "um marco histórico e mais um momento marcante para o desenvolvimento de Guimarães".

O responsável reconheceu que a construção da rede de abastecimento público "era uma velha aspiração" da Irmandade, porque o sistema que existia, "a velhinha mãe d'água estava a precisar de assistência". "Foi dada assistência a uma estância turística que é cada vez mais procurada e que está cada vez mais qualificada e exige cada vez mais de nós", prosseguiu Roriz Mendes, agradecendo "o esforço feito para a valorização de um bem que é de uso e de fruição pública". "No ano 2000, o saneamento cobriu uma grande parte da montanha e só isso contribuiu para a melhoria da qualidade da Penha, de toda a encosta e da Cidade", frisou, assinalando que o investimento contribui para engrandecer o que considerou ser "um dos muitos pulmões do mundo".  "A Penha é o pulmão dos vimaranenses! E aquela é a melhor montanha do Mundo", expressou, visivelmente entusiasmado.

Por seu turno, durante a cerimónia, o Presidente do Conselho de Administração da Vimágua evidenciou "a satisfação" por ter sido correspondido o anseio antigo da Irmandade de ter água da rede pública na montanha". "Não porque a água até agora distribuída tivesse falta de qualidade, mas havia a preocupação relativamente à continuidade e eventuais perigos de seca, face às alterações climáticas". Armindo Costa e Silva apontou "a competência da Irmandade" no tratamento daquele espaço, "de natureza única para Guimarães e do norte de Portugal. "O carinho pela Penha é partilhado por todos nós. É uma jóia que temos", comentou, precisando que "o primeiro sistema de abastecimento de água a Guimarães teve origem na Penha!". 

"A Vimágua fez a obra de construção do reservatório das minas da Penha, na Costa, e recolhe a água das minas que se situam a noroeste da encosta da Penha e fornece algumas centenas de milhares de metros cúbicos de água ao concelho de Guimarães e Vizela. Com esta intervenção, a Penha vai continuar a consumir água da montanha da Penha, porque a água que é recolhida nesse reservatório, é encaminhada para a mãe d' água, no Bairro Leão XIII, e levada para Mesão Frio e daí para Infantas, e por sua vez elevada para a Penha. É um ciclo em que a água é sujeita ao processo de tratamento, de desinfecção e correção do Ph... E com este sistema, complementado com a água proveniente da captação de Prazins Santa Eufémia, garante-se a continuidade do serviço independentemente de haver períodos de seca e de redução dos níveis freáticos que era uma das preocupações", detalhou o responsável da Vimágua, precisando que o projecto, num investimento de 372 mil euros, permitiu a construção de duas redes, "uma para servir os edifícios, com extensão de cerca de 3 km, e uma rede autónoma, com cerca de 2 km, para abastecer os 24 bebedouros existentes na montanha".

em Ambiente

Marcações: Vimágua, Irmandade da Penha

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