Raul Brandão nasceu há 153 anos e escolheu Guimarães como última morada

 

O escritor Raul Brandão nasceu há precisamente 153 anos. Raul Germano Brandão nasceu a 12 de Março de 1867, no Porto, localidade onde passou a sua adolescência e mocidade. Ingressou na carreira militar, mantendo em simultâneo uma carreira ligada à escrita, colaborando com jornais e publicando obras de sua autoria. 

Foi colocado 1896 no Regimento de Infantaria 20, que estava instalado no edifício do Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães. É aqui que conhece Maria Angelina, futura esposa e que o acompanha até à morte.

Na Casa do Alto, em Nespereira, encontrou o retiro que tornar-se-á «domicílio do escritor», como escreveu Guilherme de Castilho. "É aí, nesse remanso aldeão, que o escritor cumprirá as «obrigações» contraídas ao assumir o seu destino, que é como quem diz: conceberá e realizará uma parte importante da sua obra", indica o autor, embora Raul Brandão tenha intercalado essa presença em Guimarães com prolongadas estadias em Lisboa e noutras cidades, onde colheu informações e inspiração para a sua vasta produção literária."

Faleceu a 5 de Dezembro de 1930, em Lisboa, aos 63 anos de idade. O corpo de Raul Brandão foi trasladado para o Cemitério Municipal da Atouguia, em Guimarães, a 3 de Maio de 1934, ostentando ainda o seu túmulo a lápide de uma homenagem feita em 1958. 

Como se pode ler na edição de 4 de Maio de 1934 do jornal O Comércio de Guimarães: "Foi significativo e cheio de beleza moral o preito de homenagem prestado hontem ao ilustre homem das letras que se chamou Raul Brandão. Consola ver que ainda há quem compreenda o efeito que essas jornadas de saudade produzem na educação dos povos, hoje entregues a transições que os afastam daqueles que vivem, espiritualmente, superiores a preconceitos e aspirando a uma vida mais perfeita e mais harmoniosa.

O préstito fúnebre do ilustre homem de letras, que foi transladado da capital para o nosso cemitério, mostrava-nos que, se a alma se eleva a Deus, junto à matéria persiste a saudade – a dor. Vimos, silenciosos e em respeito atravessar a cidade esse préstito fúnebre, no qual se incorporou sua ilustre família, membros da Câmara Municipal, Sociedade Martins Sarmento, representantes de corporações diversas, jornalistas e homens de representação.
Junto à sua última morada proferiram palavras de saudade o ilustre Presidente da Sociedade Martins Sarmento, Dr. Leonardo Coimbra e o jornalista Armando Gonçalves.
Que descanse em paz o que ao nosso seio se acolheu!"

Neste dia, a Biblioteca Municipal Raul Brandão está encerrada devido às medidas preventivas decretadas pela Câmara Municipal de Guimarães face ao surto do novo coronavírus. O programa da quarta edição do Húmus - Festival Literário de Guimarães foi suspenso.

 


Marcações: Raul Brandão

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