Crispação entre candidaturas à presidência do Vitória sobe de nível


Ainda não houve debate entre os dois candidatos à presidência do Vitória, mas a troca de argumentos entre as duas candidaturas está ao rubro. Ziad foi o ponto de partida para críticas de parte a parte.

As críticas de Armando Marques à escolha de Ziad por parte da Lista A, de Júlio Vieira de Castro, para o cargo de director geral do Vitória e da Sociedade Anónima Desportiva, foram o ponto de partida para um tom mais crispado na campanha eleitoral. O candidato do movimento Novo Vitória inflamou o discurso, claramente ao ataque.

Vamos por partes. Primeiro, as duras críticas ao vice-presidente do clube e Administrador da SAD: “Nós não temos medo de moços de recados e estamos na terra dele. O moço de recados do presidente ainda não conseguiu entender o papel do Ziad na estrutura da SAD. O Ziad não terá o mesmo papel desse moço de recados pois tem um maior conhecimento político e empresarial. O Ziad não aparece no Vitória depois de vender vigas de cimento, nem aparece no Vitória como insolvente. O Ziad não é uma figura presente na plataforma Citius, o Ziad não foi posto na rua por um ex-presidente. O moço de recados tem de explicar aos sócios do Vitória porque é que esse ex-presidente o pôs na rua. A 24 de Março esse moço de recados irá entender que o Vitória não é dele. Esse moço de recados deve saber que não se utiliza um dossier com dados da vida pessoal e profissional de um ex-atleta do Vitória. Esse moço de recados não ridicularizará nem insultará mais quem faz parte da história do Vitória. Esse moço de recados vai perceber que os sócios não têm memoria curta e que o Ziad há pouco tempo foi homenageado por quem o insultou”.
Júlio Mendes foi o outro alvo das declarações de Júlio Vieira de Castro: “O presidente actual que tenha cuidado, que não nos provoque porque senão não teremos problema algum em demonstrar quem ele é. Não vamos admitir que a capacidade e profissionalismo da nossa equipa seja colocado em causa por quem durante roda a vida fez uma carreira no sector público, foi pago por nós. Não vamos admitir que alguém de uma forma manhosa ponha em causa o nosso carácter e o nosso vitorianismo. Nesta equipa não há ninguém com património escondido. Nesta não há ninguém com capacidades financeiras extraordinárias. Nesta equipa não há ex-funcionários públicos com capacidade financeira ou património acima do que pode. Entraram no desespero e vale tudo. Há quem esteja a fazer destas eleições uma luta pela vida. Estamos em alerta. Da mesma forma que estamos em alerta era bom que o Ministério Público estivessem em alerta”.

O primeiro a rebater os argumentos de Júlio Vieira de Castro foi Júlio Mendes, o líder da Lista A: “Tem de haver alguma coisa por trás. As pessoas que não se movem como nós, com um espírito de missão, nem por causa de salários não têm condições para estar à frente deste grande clube. Estão permanentemente a criar casos para que os sócios desconfiem das pessoas que estão deste lado. Na última intervenção o candidato chamou moço de recados ao senhor Armando Marques e insolvente. Não é o meu moço de recados. E não saber que uma pessoa insolvente não pode ser Administrador da SAD leva-me a dizer que não pode ser candidato a presidente do Vitória”.

Visado nas últimas críticas de Júlio Vieira de Castro, Armando Marques apontou o dedo ao líder da Lista B, acusando-o de colocar em causa o valor dos jogadores em fóruns da internet: “O senhor Júlio Vieira de Castro, a 12 de Fevereiro de 2018, emitiu um comunicado em que condenava o episódio racista com Konan. No dia 28 de Setembro de 2017, já ele pensava na candidatura desde Janeiro, disse o seguinte sobre o mesmo Konan: “Não é necessário malhar no Konan. Ele enterra-se sozinho, mais fraco do que isto não há. Não se consegue descobrir igual nem nas aldeias do Quénia. Isto sim é um extra-terrestre”. Um personagem que tem esta opinião sobre o Konan nunca poderá ser o Vitória que os vitorianos defendem. Tenho dezenas de citações sobre jogadores, por exemplo em relação ao Celis disse no dia 18 de Setembro: “O Celis não é mau, é péssimo, é horrível, rua com ele””.

Socorrendo-se de outros textos que terão sido escritos por Júlio Vieira de Castro, Armando Marques lançou nova polémica: ““Há uma coisa que aprendi desde pequeno, que é contra o Sp. Braga tudo, a favor do Sp. Braga nada. Sou dos que defendo isso, mas há quem não defenda. O senhor Júlio Vieira de Castro escreveu uma narrativa que gostaria de revelar: “Eu tenho muita família em Braga, pelo Braga, entre nós não há atritos. Na Taça de Portugal que vencemos, torceram pelo Vitória, foram os primeiros a dar-me os parabéns. Por isso, domingo serei pelo Braga”. Eu nunca serei pelo Sp. Braga, nem que seja ao berlinde”.

O ataque crítico a Júlio Vieira de Castro prosseguiu com outro capítulo: “Júlio Vieira de Castro, que diz já estar a preparar a sua candidatura desde Janeiro de 2017, tem a seguinte opinião sobre as forças de autoridade e segurança, com quem caso um dia ele viesse a ser presidente do Vitória teria de trabalhar todos os dias. A 5 de Novembro de 2017 escreveu que “a PSP são um bando de cães raivosos sem cérebro”. Depois corrigiu e escreveu que “os cães, mesmo raivosos, têm cérebro”. Depois, diz o seguinte: “a ser verdade que não houve determinada intervenção no nosso estádio, é aqui que se prova que são moinas de terceira e é arrear-lhes bem porque não se perde nada a não ser que caem no chão, porque garanto que o que eles querem é o consumo de ganza que não é um consumo livre nos quartéis”. Termina a perguntar “onde estão os polícias em Guimarães, sabem lá o que isso é esses labregos, batem porque não sabem falar, não sabem agir, não sabem fazer, como qualquer animal. Um burro de farda não é um polícia, é um burro de farda tão só”. Não é este Vitória que eu quero, que eu defendo. Desafio as personalidades que estão ao lado do senhor Júlio Vieira de Castro dizer que ele se equivocou. Se não o fizerem são coniventes”.


Marcações: Júlio Mendes, Júlio Vieira de Castro, eleições Vitória

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