João Fernando e a saída do Ponte: "Espero que não voltem a hipotecar o caminho a uma Direcção que tanto faz para que nada falte ao grupo de trabalho"



O ex-treinador do Ponte, João Fernando, explicou esta terça-feira os motivos que levaram à sua saída do comando técnico do clube. Em declarações à Rádio Santiago, o experiente treinador assumiu o desagrado com o comprtamento de alguns dos jogadores do plantel, ilibando a Direcção de Filipe Oliveira.

"Foi um arrastar de várias situações. A partir do jogo com o Urgeses, quando surgiu a primeira derrota, notamos que algo não estava bem, aliás, algo que não nos tivéssemos apercebido há algum tempo. Engolimos alguns sapos e fomos passando por cima de algumas situações, sempre em prol do Ponte", começou por dizer, acrescenando:

"Pegamos numa equipa no 7.º lugar e conseguimos colocá-la no 1.º lugar, com uma grande vantagem para os nossos adversários. Pelo caminho, fomos vendo quem era dotado de mais e menos carácter. Há gente que pensa que pode jogar sempre, outros que vão à volta tentar estragar o que está a ser feito de bom. Treinávamos com 15 jogadores, às vezes 14. Este plantel era curto, mas isso não é uma crítica à Direcção. Aliás, tomamos esta decisão devido ao apreço que temos pela Direcção, que tem feito uma aposta grande em prol da subida com um plantel em quem confiou. Espero que a equipa não venha agora a morrer na praia novamente.

Quem assistiu aos últimos três jogos percebe as incidências que levaram às derrotas. Não podíamos continuar num cenário destes, porque daqui a pouco a vantagem que tanto custou a alcançar, com mérito dos jogadores e equipa técnica, poderia ser hipotecada. Toda a gente pergunta como é possível uma equipa técnica deixar o clube no 1.º lugar, com quatro pontos de vantagem. Isso tem uma razão muito simples. Deve-se a comportamentos incorrectos, jogadores que estão a fazer cursos, jogadores que arranjam compromissos em dias de treinos. Outros jogadores arranjavam sempre algo para no primeiro treino da semana irem para o massagista. Há jogadores que não sei se compraram o lugar, porque forçaram sempre a entrada no 11. Há quem esteja a fazer o curso de treinadores e soubemos que se ofereceu para tomar conta da equipa com a nossa saída.

Ficamos surpreendidos que nos tenham transmitido que três emissários, os capitães, tenham dito à Direcção que o grupo tinha acabada de decidir que se nós pretendêssemos voltar atrás o plantel não aceitaria, argumentando com o facto que os deixamos sozinhos no campo depois da derrota com o Ruivanense. Se foi isso que os magoou, peço desculpa. Nós fomos magoados tantas vezes. É pena que alguns que se queixaram de terem sido deixados sozinhos não nos tenham chamado quando saíam sozinhos à noite para que os pudéssemos acompanhar. É uma cobardia o que fizeram no sábado, após o jogo. Agora, serão os jogadores que terão de demonstrar o caminho que têm de seguir. Espero que não voltem a hipotecar o caminho a uma Direcção que tanto faz para que nada falte ao grupo de trabalho. Não podíamos pactuar com isto, porque temos carácter, ao contrário de alguns. Não basta ter um bocado de dinheiro e bons carros para pensar que são alguém na vida.

Estávamos a preparar o futuro, mas ainda bem que saíamos porque íamos englobar algumas pessoas que hoje, com as atitudes que demonstraram, continuariam a enganar-nos. Caiu a máscara a alguns deles. Alguns deles são demasiado grandes para andarmos com eles ao colo. É pena que alguém para alimentar o seu ego pessoal se esquecesse dos valores do grupo de trabalho. Houve gente que condicionou jovens que estão a nascer para o futebol, como se viu no passado sábado.

Esperamos que o Ponte sejam campeão. A responsabilidade é dos jogadores. Deixamos um abraço aos adeptos, que nos apoiaram sempre. Era fácil continuar no Ponte, porque de certeza que iríamos ficar num lugar acima daquele em que encontramos o clube."

Marcações: Associação de Futebol de Braga, CD Ponte, João Fernando

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