«Pavorosa tragédia que roubou a vida» a três trabalhadores na vila das Taipas ocorreu há 71 anos

Há 71 anos, no dia 9 de janeiro, uma «pavorosa tragédia que roubou a vida a três honrados trabalhadores, levou o luto a alguns lares e deixou órfãos ao abandono" ocorreu no rio Ave, na vila das Taipas. O jornal O Comércio de Guimarães, na sua edição de 16 de Janeiro de 1948, descreve a tragédia, assistida pela população que, na época, não dispunha de meios para evitar a fatalidade e salvar três vidas.
"Na margem esquerda do rio Ave, nas Taipas, anda a proceder-se a trabalhos de captação de águas para abastecimento da cidade de Guimarães, empregando-se ali algumas dezenas de homens. Na 6ª feira, dia 9, cerca das 8 horas, como de costume, atravessaram o rio, em barco, para se dirigirem para o trabalho, os jornaleiros Joaquim Fernandes, de 22 anos, Manuel de Freitas, de 25, e Manuel Pereira, de 24, todos da freguesia vizinha de S. Cláudio de Barco.

Atingida, sem novidade, a margem do rio, chegou o técnico Manuel Fernandes Pereira, de 40 anos, natural de Gondomar, que devia ter feito a travessia junto com os companheiros de trabalho. Um dos trabalhadores, o Joaquim, saltou em terra, e os dois companheiros foram buscar o técnico à outra margem do rio.

Reunidos os três homens no barco, ao atravessar a corrente, que era caudalosa, a frágil embarcação foi de encontro às estacas de um guindaste utilizado nas obras, ficando inutilizada.
O Freitas lançou-se à água, no intuito de atingir a terra, a ando, mas em breve foi envolvido pela água, que o arrastou e lhe deu a morte.
Os outros dois companheiros conseguiram agarrar-se ao cabo do guindaste.

Naquela tristíssima situação, foi dado o alarme, acorrendo milhares de pessoas à margem do rio, entre as quais, os Bombeiros das Taipas.
Ante os apelos desesperados dos infelizes, tudo foi tentado, sem resultado, pois, sem meios de salvação própria, não foi possível arrancá-los da morte.
Deitaram-se a nado algumas pessoas; tentou-se enlaçá-los com cordas; saiu um barco e tentaram-se foguetões. Tudo em vão!
O Manuel Fernandes Pereira conseguiu manter-se naquela situação desesperada cerca de duas horas, pedindo que o salvassem!
Junto do rio, dizem-nos pessoas oculares, viveram-se horas de pavor e de desespero.

A mãe e a esposa de uns, chamavam-nos em altos gritos, tentando lançar-se ao rio em seu socorro; outros encorajavam-nos, e ainda outros tentavam experimentar todos os esforços para os salvar.
Mas a fatalidade acompanhava-os, e assim, ante o desespero e lágrimas de todos, e a bênção da Igreja, pois compareceu no local o digno pároco da vila, as águas abriram-se para receber o corpo do último e infeliz náufrago...
Como é de supor, a trágica ocorrência causou naquela vila e nesta cidade grande emoção, sendo as vítimas muito estimadas.
No local compareceu o Sr. Presidente da Câmara e Chefe dos Serviços Municipalizados, o Vereador das Taipas Sr. Rosas, e demais autoridades.
...
O barco apareceu, mais tarde, encalhado perto de Campelos, não tendo aparecido nos dias seguintes os cadáveres dos infelizes.
Supõe-se que tenham caído a um «pôço» que há pouco adiante do local do sinistro.
Se assim fôr, será chamado um mergulhador, pois a Vereação Municipal está na disposição de mandar fazer o enterro à sua custa às três e infelizes vítimas".

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