As exposições da Muralha

 
““(...)[falava] estoicamente de si próprio e dos outros com azedume. Tudo lhe desagradava. Não havia homem bem colocado que não fosse cretino ou canalha.”
Gustave Flaubert. A educação sentimental. 1869.
 
A Muralha, as­so­ciação de Guimarães para defesa do património tem hoje abertas ao público de forma gratuita duas exposições. Uma delas – Guimarães. Património. Registos. – patente na extensão do Museu de Alberto Sampaio, vai fechar no final desta semana e por isso quem não a viu poderá ainda visitá-la até sexta-feira. A outra exposição – Da Muralha – está disponível para visita no Guimaraeshopping, piso 1, durante os próximos meses e encontra-se integrada nas Festas Gualterianas de 2018.
A exposição Guimarães. Património. Registos. que está nos seus últimos dias de ex­posição pública resulta de uma frutuosa parceria entre a Muralha e a Es­cola de Arquitetura da Universidade do Minho.
Na exposição cruzam-se e interagem dois im­portantes espólios: a já conhecida Colecção de Fotografia da Muralha (CFM) e a Colecção de Levantamento do Património (CoLePa). A CFM tem sido central nas últimas exposições da associação e constitui-se como um precioso espólio de Guimarães acondicionado, partilhado, estruturado, em contínuo estudo e divulgação. A CoLePa é uma coleção menos conhecida mas constitui um espólio valioso e interessante da Escola de Arquitetura da Universidade do Minho, baseado num levantamento arquitectónico de edifícios e ruas históricas que inclui, naturalmente - a nossa cidade e o nosso concelho.
A exposição Guimarães. Património. Registos., patente na extensão do Museu de Alberto Sampaio, na Praça de S.Tiago, conjuga e harmoniza as referidas coleções e propõe ao visitante o percurso por lugares e arquiteturas da cidade e do concelho, tendo por base desenhos, imagens e estudos que procuram fixar e interpretar o que as ruas, os largos, as casas ou as igrejas nos transmitem e as imagens fotográficas que até hoje nos chegaram através da CFM.
O chão das duas salas principais é constituída por dois mapas, um da cidade e outro do concelho, e que irão ser retirados para que outras exposições ali se mostrem.
Da Muralha – a outra exposição recentemente inaugurada - resulta da seminal colaboração da associação com o Cineclube de Guimarães e é mostrada no Guimarãeshopping, do lado oposto à zona da alimentação. Da Muralha é uma exposição sobre a história da Muralha - associação de Guimarães para a defesa do património fundada em 1981 -, e que se integra novamente nas Festas Gualterianas como acontece desde 1984.
Na exposição Da Muralha poderá ver um documentário e um conjunto disperso de imagens que alimentou diversas exposições e assume, propositadamente, a desarrumação típica de uma intensa atividade ao longo dos seus 37 anos de história; que conta até hoje com 64 exposições, 106 visitas guiadas, além da atividade editorial e das posições públicas que a instituição foi tomando ao longo da sua existência.
O documentário de 30 minutos, parte integrante da exposição, passa em contínuo e nele muitas das pessoas que fizeram a história da Muralha falam sobre a criação da instituição, sobre Fernando Távora o primeiro presidente eleito da associação em 1982 (regressaria ao lugar de presidente em 1985), sobre a CFM e como ela se constituiu, sobre a atividade da instituição e sobre algumas controvérsias a que a Muralha deu o peito ao longo destes anos na defesa dos nossos valores e da nossa história.
Respeitar o nosso legado e a nossa cultura, conhecê-la melhor, divulgá-la adequadamente é, e sempre foi, o papel da Muralha. Abrindo sempre, como hoje acontece, a sua estratégia a novas dinâmicas e à colaboração daqueles que têm uma contemporânea visão sobre o nosso legado histórico, sobre as pessoas, enfim, sobre aquele que é o nosso património comum.
 
Rui Vítor Costa

em Opinião

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