As Gualterianas

Apesar de não terem sido convidados alguns reconhecidos estudiosos das festas Gualterianas que com seus profundos conhecimentos poderiam ter enriquecido o debate, oxalá que a jornada realizada possa ter servido para uma reflexão capaz de projectar umas festas da cidade que a todos nos orgulhem.
 
1. Decorreu na passada Quarta-feira dia 14, no Centro Internacional das Artes José Guimarães, uma jornada de reflexão sobre as “Festas Gualterianas e da Cidade”, promovida pela Câmara Municipal que contou com a participação de algumas dezenas de representantes de várias instituições da nossa cidade e cujo objetivo principal era, sobretudo, encontrar a melhor solução para o programa das festas, seus eventos e locais de realização nos tempos de hoje.
Tratou-se, pois, de uma iniciativa muito louvável por reconhecer, finalmente, a importância dos contributos que pessoas e instituições nelas diretamente envolvidas podem dar, no tocante à procura da melhor solução para a concretização das festas da cidade.
A principal questão associada às festas Gualterianas que mais polémica tem suscitado nas últimas realizações, prende-se, sobretudo, com a localização das barracas, das tendas e dos equipamentos de divertimento que nos últimos anos têm sido, progressivamente, empurrados do centro da cidade – Alameda, Campo da Feira e Hortas - para a zona da estação inferior do teleférico.
Na verdade, esse foi dos aspectos que desde logo, nas primeiras intervenções, mereceu maior enfoque, algumas delas defendendo, como localização privilegiada, os espaços públicos do Toural, da Alameda, do Campo da Feira e das Hortas, apontando, outras mesmo, os espaços do centro histórico como o Largo Condessa do Juncal conhecido como Feira do Pão.
Foi também ouvida intervenção fazendo enquadramento histórico das festas Gualterianas, propondo a realização de umas festas da cidade com início, logo em 22 Junho, data de elevação a cidade, integrando depois o 24 Junho, dia da batalha de São Mamede e dia do Município, assim como o primeiro domingo de Agosto, dia festivo de S. Gualter e a festa do Pelote em 14 Agosto.
Tal como no passado as feiras francas concedidas pelo poder régio constituíram formas de promoção do desenvolvimento económico e social das comunidades, como é exemplo a feira de São Gualter, concedida a Guimarães por D. Afonso V em 16 Abril de 1452, a precursora das festas Gualterianas, também nos tempos de hoje continua a ser possível a promoção da imagem e do desenvolvimento de uma terra deitando mão nas festas da cidade.
Foi esse, de resto, o espírito presente na decisão dos responsáveis pela direcção da Associação Comercial e Industrial de Guimarães quando, em 1906, decidiram revitalizar as feiras francas de São Gualter, trazendo novos números e representações que permitiram conciliar o passado com o que de melhor encontraram na Europa desse tempo, dando assim origem às festas Gualterianas.
Apesar de não terem sido convidados alguns reconhecidos estudiosos das festas Gualterianas que com seus profundos conhecimentos poderiam ter enriquecido o debate, oxalá que a jornada realizada possa ter servido para uma reflexão capaz de projectar umas festas da cidade que a todos nos orgulhem.

2. Guimarães ficou mais pobre.
Hoje, Segunda-feira, acabo de participar numa homenagem à ilustre vimaranense, professora doutora Noémia Carneiro, partida há dias para a Eternidade e promovida por muitos dos que tiveram oportunidade de testemunhar o seu valiosíssimo contributo para o fortalecimento da qualidade dos serviços prestados em prol dos outros, através da instituição Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, que tão sabiamente dirigiu na companhia de uma equipa de gente generosa e qualificada.
Paz à sua alma e que o Senhor a recompense pelo amor que ela Lhe dedicou, na pessoa dos mais necessitados.
 
Guimarães, 19 de Novembro de 2018
António Monteiro de Castro

em Opinião

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