Vitória - Gesto de gratidão

Não poderia, pois, deixar de manifestar toda a gratidão ao presidente demissionário engenheiro Júlio Mendes e a toda a equipa que o acompanhou nesta exigente e laboriosa batalha de ressurgimento do nosso amado clube, o Vitória, e lamentar alguns gestos de ingratidão alimentados, num momento menos feliz, por uma paixão doentia que por vezes acompanha alguns dos adeptos do nosso muito amado clube.

 

Não fosse a interrupção ocorrida nos princípios dos anos 70, no período em que durante meia dúzia de anos residi fora da nossa cidade, e teria agora à volta de 60 anos como sócio do maior clube vimaranense, o Vitória.Não fosse a interrupção ocorrida nos princípios dos anos 70, no período em que durante meia dúzia de anos residi fora da nossa cidade, e teria agora à volta de 60 anos como sócio do maior clube vimaranense, o Vitória.
Recordo bem os tempos em que me deliciava, no velho campo da Amorosa, com as fintas de Edmur, “o bola de prata”; com a segurança de Silveira, de Daniel e de Custódio Pinto; ou com as redes das balizas em sisal, furadas com os tiros do Caiçara, o tal que levou o guarda-redes Rosas, do Leixões, com a bola pela baliza dentro; ou, uns anos mais tarde, já no actual estádio, com Mendes, o “pé canhão”, bem diferente de Caiçara, mas que, de certos locais, junto à grande área, tanto atormentava os guarda-redes adversários.
Fui-me habituando a ver, nesses tempos, e com muito orgulho, a presença de estrelas vindas do Brasil que o nosso clube recebia como mais nenhum, como Jeremias, Lua, Djalme, Paulinho Cascavel e muitos outros, logo cobiçados pelo Porto ou pelo Sporting, já que o Benfica, à época, apenas incluía jogadores portugueses.
Acompanhei, fisicamente, com fervor e sofrimento, os tempos em que o nosso Vitória passou pela segunda divisão e vivi, com grande emoção, o seu regresso à primeira divisão, alegria que tinha tido já oportunidade de sentir, aquando da sua subida ao escalão maior em 1958, dia em que os mais pequenos, como eu, tiveram direito a assobios de barro, brinquedo na altura muito cobiçado.
Os anos e a saúde foram-me coartando dos momentos intensos que o futebol e o nosso Vitória proporcionam.
Habituado ao prestígio que a rica história do nosso clube nos conferiu, colocando-nos entre os maiores do futebol nacional, sobretudo pela sua grande, entusiasta e bairrista massa associativa, com paralelo apenas entre os três grandes, sofri como todos os vitorianos sofreram, os momentos em que o nosso clube se arrastava no meio de uma crise financeira sem precedentes, com dívidas a fornecedores, a trabalhadores, a jogadores, ao fisco e à Segurança Social.
Dos escombros, emergiu um grupo de corajosos vitorianos que ao cabo de algum tempo retiraram o nosso clube das capas dos jornais pelas piores razões e, apesar dos fortes constrangimentos orçamentais, conseguiram alguns feitos nunca dantes conseguidos, nomeadamente a conquista da Taça de Portugal, troféu que muitas vezes havíamos estado perto de conseguir mas que, na verdade, nunca o havíamos concretizado, e que, depois, recolocaram o nossa vitória no grupo dos grandes e, sobretudo, no dos clubes cumpridores e credíveis.
Não poderia, pois, deixar de manifestar toda a gratidão ao presidente demissionário engenheiro Júlio Mendes e a toda a equipa que o acompanhou nesta exigente e laboriosa batalha de ressurgimento do nosso amado clube, o Vitória, e lamentar alguns gestos de ingratidão alimentados, num momento menos feliz, por uma paixão doentia que por vezes acompanha alguns dos adeptos do nosso muito amado clube.
Estou em crer que este gesto de reconhecimento e gratidão será comungado pela grande maioria dos vitorianos que dão tudo pelo Vitória.
Entretanto, oxalá surjam novos servidores que possam enriquecer a rica história do nosso clube.Viva o Vitória!
P.S. – Como declaração de interesses, dou a saber que o vice-presidente para a áreafinanceira, Francisco Príncipe, é meu sobrinho.

Guimarães, 4 de Junho de 2019

António Monteiro de Castro

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