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Infarmed sim, Infarmed não

Não há presente sem passado.
Tal qual a vida de cada um, a sociedade também consiste num processo que se arrasta à superfície do planeta há milhares de anos; centenas de milhares mesmo. E o que somos hoje, todos os humanos, é o resultado em movimento desse caminhar e das diversidades que entre nós se foram gerando. Ora, como será de fácil compreensão, a menorização que, por vezes, se faz do deixado para trás e, pior, o seu desconhecimento, pode não permitir uma leitura coerente da actualidade, desirmanando-a da sucessão que é e provocando a tendência para isolamento dos acontecimentos, como se, muitas vezes e na evidente diferenciação de circunstâncias, as suas causas remotas não proviessem de embriões que viram a luz nesses idos tempos.

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Cães no desemprego

““Um laço de 15000 anos gerou uma compreensão e um afeto muito profundo entre seres humanos e cães do que entre quaisquer outros animais. Em alguns casos, os cães mortos até eram enterrados de forma cerimonial, tal como os seres humanos.”
Yuval Noah Harari. Sapiens, de animais a deuses. 2011.

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Ânsia do Poder

Tendo eu nascido nos primeiros anos da década de 50 do século passado, ain­da Portugal e so­bretudo a Europa se recompunham das consequências desastrosas da segunda Gran­de Guerra Mun­dial e vivendo num país sob regime autoritário, pouca ou nenhuma foi a minha vivência política. Só a partir de 1970, ano em que dei entrada na universidade, a qual vivia a reforma Veiga Simão surgida como resposta à cri­se académica no seguimento dos mo­vimentos do Maio de 68 em Paris, tomei contacto e consciência do que era a falta de liberdade e de algumas das suas principais consequências.

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O Pipo

““Vê-se o pequeno lavrador que desceu dos montes para banhar as suas enfermidades. Traz um lenço na cabeça, por baixo do chapéu, atado ao queixo, amplas chinelas de couro cru, longo capote de cabeções.”
Ramalho Ortigão. As praias de Portugal: Guia do banhista e do viajante. 1876.

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Reflexões que Guimarães tece

 
 
“... et de l’originalité du milieu indigéne préroman dont l’organisation sociale et la mentalité religieuse témoignaient d’un individualisme marqué.”
Alain Tranoy, La Galice Romain, pags. 13, Difusion de Boccard, Paris, 1981.

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Belchior

O Belchior, meu colega de curso, era um homem afabilíssimo, um magistrado de eleição e, sob uma aparência de timidez que lhe conferiam a estatura algo menos que meã, a anatomia levemente arredondada e uma expressão de permanente doçura, era dotado de um enorme sentido de humor e, sem que nunca mo tenha confessado, nem eu conheça a quem o tenha feito, teria uma enorme vocação para ator.

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L’UOMO VITRUVIANO”

Na evidência de que existe passado, às vezes há que revisitá-lo e realinharmo-nos no que de bom dele somos herdeiros; reganhar um sentido de pertença que fez de cada um de nós aquilo que somos no presente da história humana. E sentir que é continuando valores que os antecessores nos legaram na sua romagem milenar (nem sempre pacífica e muitas vezes carregada de escolhos, destruições catastróficas e retrocessos), defendendo-os e melhorando-os, que cumpriremos a missão da espécie.

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Plataforma das Artes

Estive pessoalmente envolvido nos ante­cedentes do conteúdo da Plataformas das Artes e da Criatividade, o que resultou não só de solicitação nesse sentido, mas igualmente pelo gosto e interesse que há muito era o meu de que Guimarães fosse dotada de uma estrutura cultural no âmbito das artes plásticas, pois que para praticamente todas as demais artes, a nossa cidade estava já suficientemente dotada de infraestruturas bastantes, de qualidade e, para mais, geridas de modo a fazer delas corpos cheios de vida e cumpridores da função que lhes foi destinada.

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As exposições da Muralha

 
““(...)[falava] estoicamente de si próprio e dos outros com azedume. Tudo lhe desagradava. Não havia homem bem colocado que não fosse cretino ou canalha.”
Gustave Flaubert. A educação sentimental. 1869.
 
A Muralha, as­so­ciação de Guimarães para defesa do património tem hoje abertas ao público de forma gratuita duas exposições. Uma delas – Guimarães. Património. Registos. – patente na extensão do Museu de Alberto Sampaio, vai fechar no final desta semana e por isso quem não a viu poderá ainda visitá-la até sexta-feira. A outra exposição – Da Muralha – está disponível para visita no Guimaraeshopping, piso 1, durante os próximos meses e encontra-se integrada nas Festas Gualterianas de 2018.

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Euforia ilusória

Depois de um período de forte depressão económica iniciado em 2008 com o rebentamento da crise da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que acabou por contagiar a banca europeia, sofreu Portugal as consequências de ser um país fortemente endividado, tendo o Estado e toda a economia nacional ficado à mercê dos mercados financeiros internacionais.

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Em modo funcionário

““(...)Não podias ficar nessa cadeira/onde passo o dia burocrático/o dia-a-dia da miséria/que sobe aos olhos vem às mãos/aos sorrisos/ao amor mal soletrado/à estupidez ao desespero sem boca/ao medo perfilado/à alegria sonâmbula à vírgula maníaca/do modo funcionário de viver.(...)”
Alexandre O’Neill. Um adeus português. 1958.

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