MetroBus ou tramway para ligar Guimarães-Braga animou discussão na reunião do Executivo

O MetroBus ou tramway a garantir a futura ligação Guimarães - Braga, contemplada no Plano Nacional de Investimentos 2030, com a dotação de 200 milhões euros, foi o principal assunto que animou a discussão na reunião desta segunda-feira, do Executivo vimaranense.

No período antes da ordem do dia, o Vereador do PSD, André Coelho Lima, afirmou que o Município "está a ver passar ao lado os grandes investimentos nacionais", alegando que o projecto de "tramway foi substituído por um autocarro a fazer de metro".

O Presidente da Câmara destacou a importância do financiamento garantido pelo Governo, assegurando que não desistirá da criação de uma ligação rápida entre Guimarães e Braga. "Por metro de superfície, por tramway ou por um sistema ferroviário à linha de alta velocidade", vincou Domingos Bragança, realçando que os "200 milhões de euros não estão fechados".

A troca de argumentos começou com o Vereador do PSD a observar: "foi uma semana horribilis para Guimarães", aludindo primeiro à suspensão do serviço do comboio Alfa Pendular, continuando com a referência ao projecto TGV que irá ligar Porto a Vigo, "passando por Braga e ao lado de Guimarães, ignorando o nosso Concelho".

"A substituição do tramway por um autocarro a fazer de metro" foi a outra observação deixada por André Coelho Lima, ao lembrar que o Presidente de Câmara anunciou em Novembro do ano passado, numa sessão em Braga, no Museu Biscaínhos, na presença do Ministro do Planeamento, "o projecto do tramway a ligar o Quadrilátero Urbano". "Quando o fez não havia bazuca da União Europeia, não havia pandemia, o que significa que o dinheiro que havia disponível europeu e nacional para esse investimento não tinha o volume excepcional e extraordinário de financiamento europeu. É incompreensível como é que em novembro do ano passado é anunciado um tramway e agora vem um autocarro a fazer de metro", afirmou, desafiando: "Temos todos de dizer em uníssono que isto é incompreensível e que não aceitaremos. O Governo que dê as voltas que quiser, mas não podemos aceitar e temos de contar com a força das nossas populações e autarquias, particularmente daqueles que são camaradas de partido de quem está no governo para poder fazer respeitar a nossa terra".

"Temos de ter a ligação rápida entre as duas cidades que facilite o acesso ao TGV de Guimarães para Braga ou de Braga para Guimarães", insistiu, frisando que "a ideia do MetroBus é uma boa ideia, mas para a dimensão intra-concelhia e não interconcelhia, foi essa ideia que tive a ocasião de trabalhar na última campanha eleitoral". "Se o TGV vai passar ao lado de Guimarães, não pode passar ao lado uma ligação equivalente ao TGV, porque não podemos ser interiorizados e não pode o Sr. Presidente ficar com essa marca e nós que somos o Executivo municipal", concluiu André Coelho Lima.

Na resposta, o Presidente da Câmara sublinhou que o projecto MetroBus "é uma notícia excepcional para Guimarães", comentando que tal "não impede a intervenção" de André Coelho Lima "como deputado na Assembleia da República e responsável político para que possamos melhorar aquilo que seja melhor para Guimarães". "Está assegurada a possibilidade de trabalharmos os sistemas urbanos de Guimarães e Braga", explicou Domingos Bragança, ao apontar: "esta indicação clara que são estas duas cidades que constituem uma referência para implementar esse sistema urbano intermunicipal e que vai permitir que Guimarães possa intervir no seu sistema urbano de transporte e que está a ser definido no eixo principal Lordelo, Moreira de Cónegos, Nespereira até à Cidade e depois Fermentões, Ponte e Taipas, uma linha recta para que depois faça as ligações para Este e Oeste, constituirá uma revolução no transporte urbano". "Vai servir as populações que vivem neste eixo e nas suas articulações com este eixo, assim como a cidade de Braga vai fazer o mesmo. Dentro deste sistema urbano haverá uma ligação, não é um autocarro eléctrico a circular, é um sistema de via dedicada, dentro das cidades e que altera o conceito que temos dentro das duas cidades, do conjunto urbano das duas cidades, porque tem de ter a dimensão para ser implementado... Estes dois sistemas urbanos são ligados e agora ainda falta saber em quê, se é por MetroBus ou se é por tramway! Os 200 milhões de euros não estão fechados! Os 200 milhões desenvolvem estas aplicações do transporte entre as duas cidades e agora teremos de trabalhar, por isso foi constituído uma equipa entre as duas cidades, com especialistas da área de transportes da universidade do Minho, para desenvolvermos os estudos e apresentarmos ao Governo", afirmou durante a sessão.

Recordando a exposição feita ao Governo no mês de Agosto juntamente com o Autarca de Braga, Domingos Bragança continuou: "o eixo ferroviário principal de ligação a Espanha é o que está lá - Porto, Vila Nova de Famalicão, Braga, Barcelos - há melhorias, aperfeiçoamentos e transformações da infraestrutura. O que nos interessa é que desenvolvamos os nossos sistemas de transportes e façamos a ligação ao sistema ferroviário principal. Proponho que seja por tramway ou por um sistema que possa ser equivalente ao tramway e é nisso que estamos a trabalhar em conjunto com o colega de Braga e no Quadrilátero".

"Há anos que tenho este combate: a ligação ao sistema ferroviário principal, quando quero a ligação a Braga é para ter massa crítica, no sentido de que o sistema seja sustentável ambiental, económica e do interesse público que temos que trabalhar. O grande desafio de Guimarães agora e dentro desta possibilidade de recursos financeiros alocados da Europa a Portugal é que Guimarães desenvolva o seu transporte, alterando o sistema de transporte urbano no território de Guimarães com o Metrobus e, depois ficando ao nível das melhores cidades europeias no transporte, aproveitando a soma das dimensões das duas grandes cidades e com isto ligarmos ao sistema ferroviário de alta velocidade", justificou.

"A equipa já está a trabalhar há cerca de três meses para que possamos apresentar ao Governo. As notícias seriam más se não tivessem sido atendidos os 200 milhões de euros para as duas cidades. Nós nunca desistimos da ligação rápida por metro de superfície, por tramway ou por um sistema ferroviário à linha de alta velocidade. Continuamos a trabalhar nisso. Mau seria se dentro do plano nacional de investimentos 2030 não houvesse nenhuma referência a Guimarães e a essa ligação. Este trabalho estamos a fazer e não dispensa ninguém", prosseguiu, pedindo: "como deputado na Assembleia da República e como dirigente nacional do PSD, agradeço imenso que faça o seu trabalho, tenha uma intervenção no Parlamento".

"Nunca desistirei daquilo que preconizo, que ambiciono para Guimarães. Eu tive razão há quatro ou cinco anos quando lancei esta ambição, que muitos acabaram por se rir porque acharam que estava a sonhar", observou, salientando: "não foi uma semana horribilis, foi uma semana excepcional para Guimarães". Quanto ao Alfa Pendular, Domingos Bragança assinalou que o serviço está suspenso durante este período pandémico e "estamos a trabalhar para retome outra vez a ligação a Lisboa".

 

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