Vítor Francisco venceu a doença e já voltou a jogar pelos juvenis do Moreirense



Penálti à Panenka ou clássico, bola para um lado, guarda-redes para o outro; chapelada ao guarda-redes; bomba de fora da área ou remate em arco; pontapé de bicicleta ou remate acrobático. Gestos técnicos dignos de grandes golos, candidatos a prémio Puskás. Contudo, Vítor Francisco terá marcado um golo ainda mais valioso. O golo de uma vida, o golo da sua vida que demorou sete longos meses a maturar. Um golo contra o linfoma de hodgkin do jovem jogador das camadas jovens do Moreirense, que quase traiu o seu sonho da bola. Fez notícia quando foi diagnosticada a doença, é agora notícia pela “liberdade” da recuperação no entender do próprio, ou de “alívio” como diz o pai, também ele Vítor.

A história começou quando Vítor Francisco tinha quinze anos. O tal linfoma deixou em choque o Moreirense, em particular, e o mundo do futebol em geral. “Andava nos treinos e tinha reparado que tinha umas bolinhas no pescoço. Andei duas semanas a fazer exames médicos em Guimarães e na última semana mandaram-me logo para o IPO do Porto para continuar lá as análises. Foi aí que se detectou que tinha um linfoma”, refere o jovem jogador em conversa com o DESPORTIVO de Guimarães. “Pensei logo na minha carreira, que ia ficar parado”, atira.

Passemos para a parte boa da história, dando um salto cronológico. Vítor Francisco está recuperado e já voltou a jogar. Foi lançado no jogo do Campeonato Nacional de Juvenis frente ao Famalicão e a bancada, bem composta para o momento especial, levantou-se para os aplausos. Momento simbólico, o tal golo de uma vida. “Só de ver o meu nome na convocatória já fiquei muito feliz, foi uma vitória para mim. Depois entrar veio por acréscimo. A quantidade de pessoas que ma aplaudiram foi marcante”, assume o miúdo. Após várias rondas de quimioterapia a doença foi debelada e chegou a notícia ansiada. Vítor Francisco pode retomar a actividade normal. “Senti, e sinto, uma liberdade enorme por poder estar de volta ao que mais gosto de fazer, que é jogar futebol. Durante este tempo foi difícil estar parada, pelo que estar de volta aos relvados é a melhor sensação que podia ter”, revela.

Para esta luta com a doença, Vítor Francisco muniu-se de todas as armas possíveis, sendo a principal o futebol. A “vitamina F”, como atira o pai. A vontade de voltar a jogar futebol foi determinante, reconhece o extremo que tanto pode evoluir pela direita como pela esquerda. “A arma mais forte que eu tive foi o futebol, pensar em voltar a jogar à bola que é o que mais gosto de fazer. Foi determinante. Ajudou-me, sem dúvida, a recuperar”, conta Vítor Francisco. Como se pode ver na peça à parte, Vítor Francisco agarrou-se ao futebol nesta luta e, por sua vez, o futebol agarrou também Vítor Francisco com várias demonstrações de carinho. Um aspecto também ele muito importante. “Foi das coisas mais importantes foi o apoio que tive, não só do futebol mas de pessoas de fora. Foi tudo muito rápido e com a força disto tudo ajudou-me a passar os momentos mais difíceis”, revela o jovem jogador. Nuno Pinto, jogador da equipa principal do Vitória de Setúbal que teve de suspender a carreira por estar nas mesmas condições “foi uma fonte de inspiração” para o jovem, chegando mesmo a trocar várias mensagens.

Foi vencida a doença, Vítor Francisco corou-se herói desta batalha. Após sete meses de turbulência, em que o próprio não teve bem noção do que aconteceu, foi-se o linfoma e aviva-se o sonho. “O meu sonho é chegar a profissional, mesmo sabendo que é muito difícil. Fazer do futebol o meu trabalho era o que mais gostava”, diz. Há o futuro pela frente para lutar por esse objectivo, Vítor

Para Vítor Martins, pai de Vítor Francisco, a recuperação do filho foi um processo rápido mas que demorou muito tempo a pensar. Mais aliviado, reconhece que o refúgio do filho no futebol teve grande preponderância. “Olhando para trás foi um processo muito complicado, moroso mas que olhando para trás parece que passou muito rápido. Foi uma tortura, os meses parece que foram anos e foi muito doloroso. Superou bem com recurso ao futebol, acho que o meu filho não teve bem noção do que aconteceu.

Com muitos agradecimentos a fazer, Vítor Martins não se quis alongar muito, até para não deixar ninguém de parte. “O clube, o Moreirense, teve uma postura exemplar. Não o largaram um minuto, inclusivamente a esposa do presidente, Vítor Magalhães, que faz voluntariado no IPO e nunca o deixou sozinho. Colegas, treinadores, o Sr. Emídio Magalhães. Todos foram incansáveis, não me quero alongar porque não é justo referir uns e não referir outros”, vincou.

Marcações: Moreira de Cónegos, Moreirense Futebol Clube, Vítor Francisco

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