Gualterianas, as Festas da Cidade

Da mais pequena e recôndita aldeia à mais importante vila ou cidade deste país, não há terra que se preze que não tenha, nos seus pergaminhos, a sua festa.Da mais pequena e recôndita aldeia à mais importante vila ou cidade deste país, não há terra que se preze que não tenha, nos seus pergaminhos, a sua festa.

 

Algumas festas há, que só de nelas falar, logo nos vem à mente a terra onde ocorrem. Falar, por exemplo, nas festas de Nossa Senhora da Agonia, traz-nos ao pensamento a linda cidade de Viana do Castelo; o mesmo se poderá dizer da festa de Nossa Senhora dos Remédios que nos lembra a cidade Lamego; ou a festa de São João que associamos às cidades do Porto ou de Braga; ou falar nas festas de Santo António, que nos traz ao pensamento a cidade de Lisboa; ou ainda a festa do Senhor do Santo Cristo, a cidade de Ponta Delgada dos Açores.
Guimarães não é exceção, e falar das festas Gualterianas é falar de Guimarães. As festas Gualterianas tiveram a sua origem na feira de S. Gualter, feira franca concedida pelo rei D. Afonso V a Guimarães em 16 abril de 1452 e que constituíram, desde sempre, uma forma de promoção da Imagem e do desenvolvimento económico da nossa cidade.
Nos finais do século XIX, nomeadamente no ano de 1884, Guimarães foi palco do lançamento e concretização de grandes projetos que haveriam de transformar a imagem de Guimarães numa terra do sucesso.
A Grande exposição industrial, a criação da Escola Industrial (atual escola Francisco de Holanda), e a chegada do comboio, constituíram verdadeiros marcos históricos na história do desenvolvimento da nossa terra.
A elas estiveram associados nomes de grandes vimaranenses como Francisco Martins Sarmento, Alberto Sampaio, Domingos Leite Castro, Joaquim José da Meira e muitos outros como O Conde de Margaride de quem agora mesmo estamos a comemorar a passagem dos 120 anos sobre a data do seu falecimento. Mais tarde, em 1906, os responsáveis pela direcção da Associação Comercial e Industrial de Guimarães decidiram revitalizar as feiras francas de São Gualter, trazendo novos números e representações que permitiram conciliar o passado com o que de melhor encontraram na Europa desse tempo, dando assim origem às festas Gualterianas.
A localização das tendas e barracas de vendas e, sobretudo, dos equipamentos de diversão de grande porte, que no passado animavam a parte profana das festas de S. Gualter, localizavam-se em volta do local central da parte religiosa – Igreja dos Santos Passos, também conhecida por Igreja de S. Gualter por lá ter estado instalada, durante muitas décadas, a Irmandade de S. Gualter e a imagem do Santo, agora regressados à casa mãe, a Igreja de S. Francisco.
Nas últimas décadas, porém, começou a tornar-se difícil conciliar a presença destes grandes equipamentos com os arranjos urbanísticos concretizados, nomeadamente, no Campo da Feira, com os seus lindos jardins.
Depois de experimentadas várias soluções, algumas delas bem polémicas, concentrando as barracas e equipamentos junto à estação inferior do Teleférico, promoveu o presidente da Câmara, no final do ano passado, uma reunião alargada a várias instituições na tentativa de encontrar a solução mais ajustada aos interesses da cidade.
A solução aí mais defendida, apontava para os espaços públicos do Toural, da Alameda, do Campo da Feira e das Hortas e, outras opiniões mesmo, para os espaços do centro histórico, como o Largo Condessa do Juncal conhecido como Feira do Pão.
Foi também defendida uma interessante solução de enquadramento histórico das festas Gualterianas, propondo a realização de umas festas da cidade com início, logo em 22 Junho, data de elevação a cidade, integrando depois o 24 Junho, dia da batalha de São Mamede e dia do Município, assim como o primeiro domingo de Agosto, dia festivo de S. Gualter e a festa do Pelote em 14 Agosto.
No tocante à localização dos equipamentos deveria, em minha opinião, ter-se sempre presente a centralidade religiosa da festa, dispondo, por isso, as tendas e barracas na Alameda, no Campo da Feira e envolvente das igrejas, e os equipamentos de diversão pesados, na zona das Hortas. Penso que localizações afastadas do centro religioso prejudicam a vivência das festas na sua plenitude, reduzindo a participação da população.
Boas Festas Gualterianas e boas férias para todos.

Guimarães, 30 de Julho de 2019

António Monteiro de Castro

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